segunda-feira, 21 de abril de 2014

CONCURSO NACIONAL DE ESTUDOS PRELIMINARES PARA A REQUALIFICAÇÃO URBANÍSTICA DO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO JOSÉ / SC


Autores: Jovana Stojkovic / Vesna Trbic / Guilherme Zamboni Ferreira

Colaboradores: Sanja Lazin / Ivana Paunovic / Goran Rebic

Data: 25/03/2014





Revitalização do Centro Histórico de São José





Nova Orla


Diagrama - Nova Praça Centro Histórico




Axonometria Proposta Geral



A cidade de São José tem mais de 250 anos de história com um importante patrimônio que se deve preservar. Os imigrantes que se instalaram na cidade contribuíram muito para o desenvolvimento econômico e social da cidade e para a formação do município como importante centro de distribuição de produtos. Neste período, a cidade possuía um centro conectado ao mar, já que esse era uma importante via de transporte de mercadorias para a capital. Além do transporte hidroviário, o centro da possuía uma vida comunitária muito ativa em seus espaços de convivência. Infelizmente, aos poucos, o centro foi perdendo a vitalidade e não teve o tratamento merecido.
Por tanto, a ideia principal de nossa proposta é manter as características importantes de um centro histórico importante como o de São José e adequá-lo a um contexto contemporâneo. Preservar as estruturas significativas existentes e adaptá-las aos novos tempos. Também se pretende entender as funções e atividades do antigo centro e reinterpretá-las sob nova perspectiva. Ou seja: entender como era a cidade em sua época mais próspera e criar espaços que possam destacar esses valores, além de propor novos usos.



Nova Praça - Centro Histórico














































Proposta de Iluminação




Para conseguir isso foi necessário propor algumas novas estruturas que buscam valorizar e dialogar com o patrimônio histórico, formando uma nova identidade para o centro da cidade. Todo este processo foi acompanhado pelos objetivos de manter a funcionalidade e a flexibilidade, com o fim de criar um espaço urbano agradável e na escala de uma cidade em processo de desenvolvimento.
Neste sentido, o reabilitado centro histórico de são José se apresenta através dos seguintes objetivos:

1.     Reconstrução da Identidade do Centro Histórico

A cidade está se transformando constantemente. É necessário respeitar sua historia e se possível, contribuir para um legado futuro, onde o patrimônio forma uma rica herança a todos seus habitantes.
Para alcançar este objetivo se propõe as seguintes intervenções:

            - Preservação e Valorização das Estruturas Pré-existentes

Na área em questão se pode encontrar algumas igrejas e muitos edifícios do século 19 e do princípio do século 20. Todos eles devem permanecer e seguir contando a história da cidade. Para destacar seu valor é necessário ter uma estrutura urbana adequada. Desta maneira, em frente à igreja Matriz de São José foi criado um grande espaço vazio, destacando o caráter cívico do local, próprio para atividades coletivas e cerimônias religiosas.
Em frente ao casarão da família Gerlach, Casa de Câmara e Cadeia e do Teatro Municipal Adolfo Mello  a calçada foi aumentada com o novo mobiliário urbano proposto e assim formando um espaço para atividades cotidianas e também comunitárias como feiras ou exposições ao ar livre. O edifício Solar dos Ferreira de Mello abriga a função de biblioteca internamente e faz frente com a nova praça e anfiteatro formado pela escadaria de madeira da infraestrutura que envolve ao ex-edifício da câmara.
Para os edifícios ao longo dos trechos 1 e 2, nova pavimentação, ciclovias, novo mobiliário urbano e calçadas mais confortáveis destacam o valor das construções antigas.
Além dos edifícios, o centro histórico conta com natureza intensa para compor seu ambiente, e assim deve permanecer. Portanto, a vegetação nativa da orla marinha foi preservada, assim como as pedras e a areia existentes. A vegetação existente na Praça Hercílio Luz foi transplantada para o parque Beco da Carioca, que tem como objetivo preservar 100% da mata nativa.
Nesse parque foi criada uma passarela de madeira que percorre um trajeto sinuoso entre as arvores que tem como objetivo proporcionar um contato maior com a natureza, além de gerar novos pontos de vista do centro histórico e ao mar.

































Axonometria Trecho 1



















   
         - Re-uso

Além dos edifícios existentes temos como objetivo manter e melhorar todas as estruturas que possam colaborar com o aumento qualitativo do centro. Portanto, o edifício do Centro de Saúde se transforma em Hotel, melhorando as condições para o turismo. O Ginásio é convertido em Estacionamento Náutico e faz parte da Marina Municipal que também foi criada em mesmo local. Já o edifício da Câmara se transforma em ponto turístico e atende a demanda com bares e restaurantes. Sobre o edifício se projeta uma infraestrutura que eleva os visitantes a um mirante panorâmico, onde se pode visualizar a capital Florianópolis e também o Centro Histórico.
Essa infraestrutura formada por três rampas, em diferentes níveis, que acabam formando a praça elevada com vista para o mar, que geram uma superfície ativa capaz de propor novos usos a partir da interpretação do espaço por seus usuários e uma nova relação edifício-terreno, pois é um híbrido entre arquitetura, espaço público e paisagem.

         - Introdução de novas estruturas e usos

Em torno da Praça Arnoldo de Souza se propõe a demolição de algumas de algumas casas e a construção de edifícios de dois andares para o comercio local. O mesmo se propõe na Rua Xavier Câmara 98, junto à Praça Hercílio Luz.
Abaixo das rampas que levam ao mirante se propõe um espaço de uso flexível, que possa abrigar um estacionamento para 40 carros, mercado, feira, centro de exposições, espaço para shows coberto, esportes ou outros eventos comunitários.
Dentro do Parque Beco da Carioca foram criados banheiros, quiosques para pequenos comércios e alimentação, além de um pavilhão de eventos que pode receber espetáculos de dança, teatro, shows ou festas que se aproveita da topografia para ampliar seu espaço dependendo do tipo de uso e da quantidade de público.

          - Restauração das antigas atividades

Como a maioria da Praça Arnoldo de Souza antes estava ocupado por um campo de futebol, a intenção é resgatar o espírito de lugar de recreação que este espaço público possui. E como boa parte da área foi ocupada pelo então Edifício da Câmara, se perdeu essa vocação, que agora devolvemos à população em forma de praça elevada e mirante.  Também a orla marítima passou a ser mais valorizada, e ganhou área de recreação, com zonas de areia, zonas verdes, áreas de pesca, área para banho em águas mais profundas e limpas, playgrounds para as crianças, aparelhos de ginástica, área para esportes náuticos, etc.

         - Preservação de memória

Para manter o espírito da cidade é importante não esquecer seus antigos valores. Por exemplo, a pavimentação que antes era de paralelepípedo foi recuperada para as ruas do entorno das praças, o que proporciona uma maior capacidade de absorção de água pelo solo, diminui a velocidade dos automóveis e resgata a memória do antigo centro. Outro ponto importante da pavimentação diz respeito ao antigo desenho da Praça Hercílio Luz que está gravado no chão deste espaço como uma tatuagem urbana que lembra como foi seu antigo desenho e mantem viva a memória de seus antepassados.
Também é importante manter os monumentos que foram relocados e agora aparecem em destaque em um ambiente vazio. Para o mobiliário urbano se propõe novo desenho, mas se respeita os antigos usos e costumes locais como, por exemplo, as mesas de jogos abaixo das árvores.








Reurbanização






























2.     Flexibilidade e Funcionalidade

O projeto de renovação do Centro Histórico de São José pretende ter todos os espaços muito funcionais e flexíveis. Ambas as praças podem abrigar usos diversos e são muito adaptáveis a inúmeras formas de apropriação do espaço publico.
...
3.     Priorização dos pedestres e melhoramento da estrutura viária

Para ajustar o Centro Histórico ao uso dos pedestres foi necessário fazer algumas mudanças na atual estrutura urbana. A parte da Rua Coletor Irineu Comeli que passa em frente ao Teatro agora está integra à Praça Hercílio Luz e forma um passeio público  tipo “calçadão” servido por novo mobiliário urbano e espaços sombreados que valorizam os importantes edifícios públicos que formam parte da praça.
Do outro lado da avenida, junto a Praça Arnoldo de Souza, a Rua Coletor Irineu Comeli passa a formar um espaço misto entre pedestres, ciclistas e automóveis de pequeno porte, todos ao mesmo nível, e que podem ter acesso controlado por balizas móveis dependendo do tipo de evento que acontece na praça ou abaixo das rampas. O mesmo acontece do lado oposto da praça, na também Rua Coletor Irineu Comeli que agora é uma nova rua, pois não se conecta mais aos dois lados da praça.
A Rua Gaspar Neves, que divide as duas praças e alimenta a rede de transporte público, formando a artéria principal de ligação entre o Centro Histórico e a cidade troca de pavimento, passando de asfalto para paralelepípedo quando atravessa o espaço público, que força a diminuição da velocidade do tráfego, subindo ao nível da calçada, sendo separada apenas por balizas, a rua se transforma em praça e propõe nova relação entre carros e pessoas.
No restante da Rua Getúlio Vargas e Rua Doutor Homero de Miranda, a largura da via diminui, fator que também obriga a redução da velocidade dos veículos. Com essa operação, aparece espaço para uma ciclovia e também para uma calçada mais larga e dentro das normas de acessibilidade.


4.     Escala urbana x Escala Humana

O projeto em si mesmo, se insere na cidade em escala urbana, assim como suas praças, infraestruturas e orla. O que se buscou como algumas operações, como a construção das rampas que levam ao mirante é encontrar uma escala mais adequada ao local, uma escala que entre em harmonia com a altura dos edifícios que conformam as praças e que pedem um espaço um pouco mais comprimido, gerando uma escala mais confortável e humana ao espaço. Esse mesma infraestrutura que gera um espaço multiuso também proporciona as ruas que conectam as praças ao mar, uma largura mais humana, e que aproxima as pessoas aos edifícios que estão construídos junto à calçada e assim resgatando o espírito das ruas estreitas das vilas portuguesas do início do século 19 que se formaram na região.
A escala humana é uma busca constante de nossa proposta, e ela está representada por todas as partes, seja na largura das ruas, seja na microtopografia dos platôs de madeira que estão distribuídos pelas praças e outras partes da área de intervenção ou das escadarias que formam espaços próprios para sentar-se e geram anfiteatros em diferentes níveis, assim como a própria rampa que também se transforma em bancos durante o trajeto de subida ao mirante.

5.      Estacionamentos

A questão dos estacionamentos foi tratada com o cuidado que merece uma cidade que ainda não dispõe de opções de transporte publico que possa atender ao turismo e população local com a qualidade. Acreditamos que todas as ruas no entorno do Centro Histórico podem funcionar como espaço para estacionar e também propomos um estacionamento coberto que é multiuso, entendemos que a convivência entre carros e pessoas é necessária no momento, e que uma estrutura urbana flexível seja possível, então,  optamos em dar prioridade à qualidade do espaço e circulação de pessoas, sem esquecer que os carros são necessários. O que propomos é uma zona mista entre carros, pedestres e bicicleta em uma parte da Rua Coletor Irineu Comeli, como já foi mencionado anteriormente, além de  vagas de estacionamento / ponto de taxi com uma posição central dentro do complexo, junto à avenida e à paradas de ônibus, priorizando os transportes coletivos e beneficiando aos taxistas locais.



Axonometria - Parque Beco da Carioca


Corte - Parque Beco da Carioca


Corte - Parque Beco da Carioca


Fotomontagem - Acesso Parque Beco da Carioca


Fotomontagem - Passarela/Pavilhão Parque Beco da Carioca


6.      Ciclovias

Com a diminuição da caixa de rua nos trechos 1 e 2 conseguimos formar uma malha ciclo-viária que conecta o trecho 2, passando pelo complexo do Centro Histórico , trecho 1 e se conecta à ciclovia existente na Avenida Beira-Mar, e assim possibilitando segurança aos ciclistas.

7.      Materiais

A escolha dos materiais das intervenções tem como objetivo a sustentabilidade, o conforto e a leveza, sendo assim todas as instalações, como por exemplo, a rampa que cobre o edifício da Câmara, está projetada com estrutura metálica para os pilares e vigas e madeira de reflorestamento para piso e fechamentos (brises) que contribui para o caráter efêmero da intervenção. Este tipo de material também colabora para a rapidez e limpeza para execução, sendo assim, de baixo impacto e alto resultado. Todos os materiais escolhidos são encontrados na região, o que também colabora com a natureza e gera economia de obra e fortalece a indústria local.



8.      Mobiliário Urbano

A proposta de mobiliário começa pela escolha dos materiais. Buscamos nos inserir no contexto urbano de São José de forma pontual e que possa ser facilmente adaptada à realidade atual, sem exigir grandes custos para sua instalação. Primeiramente, a madeira, que é o material que proporciona o conforto desejado para sentar-se ou para quando se quer encontrar um local de descanso. Por ser um material de pouca capacidade para absorver as temperaturas externas, mostrou-se o mais adequado aos objetivos propostos.
Junto à madeira, colocamos o metal, que nos dá a resistência, flexibilidade e leveza. Com esses dois elementos,  formamos um catálogo de mobiliário modular que foi distribuído por toda área de intervenção e que combinados, geram diferentes ambientes e muitas vezes possibilitam formas de interpretação de uso variadas, assim gerando diferentes apropriações destes espaços ou mobílias.





Nova Infraestrutura Passarela-Mercado-Mirante


































Da mesma maneira que as rampas, passarelas e outras intervenções de maior porte, o mobiliário, principalmente os bancos e deques, buscam uma relação de continuidade e conexão com o solo. Sempre fazendo questão de formar uma relação ambígua entre o espaço de caminhar e o espaço de sentar. Essa relação gerada em diferentes escalas do projeto gera liberdade de uso e facilita a acessibilidade por todas as partes.



quarta-feira, 16 de abril de 2014

CASA M - SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ, RS


Ante-Projeto de unidade habitacional para atender ao programa de necessidades de uma família na cidade de São Sebastião do Caí com área de 300,00m². 


Localização
















Fotos do local











Planta Térreo



















Planta Superior



















Estudo volumétrico



















Axonometrias





































Fotomontagem
















quarta-feira, 9 de abril de 2014

WOOD´s PATCHWORK






 Esquecida, abandonada, esclusa.
Confusa, residual, irregular.
Subestimada, desrespeitada, deslocada.




 Entende, recebe, impõe.
Inclui, aceita, limita.
Comparte, expõe, organiza.


                          =









Diversifica, compõe, adapta.
Re-usa, mistura, renasce.
Encontra, convive, dialoga.







segunda-feira, 7 de abril de 2014

DIY - MOBILIÁRIO TRIÂNGULO

Com a intenção de praticar o DIY (DO IT YOURSELF) projetei e construí uma família de mobiliário a partir da madeira de demolição de uma antiga casa.
Como o estado da madeira encontrada não era dos melhores alguns cortes diagonais nas tábuas foram necessários, e assim originando alguns triângulos que acabaram formando as peças que dão nome a própria mobília.
As marcas do tempo, os defeitos da madeira e as diferentes camadas de tinta são aceitos e permanecem para agora terem nova vida em forma de banco, cadeira e poltrona.



























BANCO TRIÂNGULO



CADEIRA TRIÂNGULO






POLTRONA TRIÂNGULO



EDITORIAL DE MODA - ATELIER CARLOS BACCHI

fotografia: Juliano Busetti






sexta-feira, 4 de abril de 2014

UMA AVENIDA PARA TODOS - O CASO DE UMA AVENIDA EM SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ - RS


Motivado por uma reportagem do jornal  Fato Novo da cidade de São Sebastião do Caí sobre o projeto da Avenida Bruno Cassel, decidi escrever um manifesto em favor da diminuição da velocidade dos carros e da criação de ciclovias adequadas.

Link para quem tiver interesse na reportagem do jornal:

http://www.fatonovo.com.br/a-doutor-cassel-sera-uma-avenida-para-pedestres-not-2926.php




Em tempos em que o Brasil e o mundo discutem soluções para os problemas de mobilidade urbana e sustentabilidade, pensar em modelos urbanísticos que privilegiem os automóveis, com certeza não é o melhor caminho a se seguir.
São Sebastião do Caí não está fora deste contexto e a população tem o dever de discutir soluções que dizem respeito a todos, então, não há melhor momento para isso que antes da obra estar concluída. Refiro-me ao projeto da Avenida Bruno Cassel apresentado na reportagem do dia 2 de abril (http://www.fatonovo.com.br/a-doutor-cassel-sera-uma-avenida-para-pedestres-not-2926.php).
Algumas das mais importantes cidades do mundo estão buscando soluções para melhorar as condições dos pedestres e assim tornar as cidades mais humanas e agradáveis. Um bom exemplo disso é Nova Iorque –EUA (cidade com mais de 8 milhões de habitantes), que em 2009 decidiu aumentar em 53% o espaço para pedestres em um dos pontos de maior tráfego de cidade, a Times Square (Figura 1). “Em alguns trechos da avenida, os carros perderam três pistas, convertidas em ciclovias e calçadões”[1]. A decisão de priorizar formas alternativas de circulação como a bicicleta teve como resultado a melhora na circulação de veículos. O que poderia parecer contraditório para alguns, ou seja, diminuir os espaços dos carros se mostrou uma solução que interessante também para a redução de velocidade e maior segurança para as pessoas além de contribuir para a baixa no número de veículos no local.
Não faltariam bons exemplos pelo mundo (Amsterdam, Barcelona ou Paris) para seguir argumentando em favor de mais espaço para pedestres e ciclistas. No Brasil, em um ritmo mais lento, mas também em progressão, a situação vem melhorando. São Paulo, Rio de Janeiro e Aracaju são algumas das capitais que vem tomando providencias nesse sentido. Por aqui, “Porto Alegre deve receber mais 30 quilômetros de ciclovias até o final deste ano, atingindo um total de 50 quilômetros. ” [2]


Figura 1 (Times Square – antes e depois)



Todas essas atitudes não buscam somente atender a um crescente contingente da população usuário de bicicletas, mas sim, melhorar e incentivar hábitos de vida saudáveis, melhores condições de vida em comunidade, segurança, sustentabilidade e mobilidade urbana.
Pode- se imaginar que os exemplos de grandes cidades europeias não sirvam de referencia para um município de pequeno porte do interior do Rio Grande do Sul, como é São Sebastião do Caí, o que eu não concordo. Os bons exemplos estão aí para serem seguidos, e a transformação da cidade e a melhora das condições urbanas podem ser alcançadas muito mais facilmente em uma cidade pequena que em uma grande cidade, onde o grau de complexidade urbana é muito maior.
Pensando em escala regional ou local, e se comparamos os dados de São Sebastião do Caí, fornecidos pelo IBGE, com algumas cidades do Vale do Caí, percebemos que o município é o que possui maior densidade demográfica, o que demonstra um potencial para criação de ciclovias e facilidade para mobilidade urbana dentro de seu perímetro. Pois isso significa que possuímos mais habitantes por metro quadrado em comparação aos municípios vizinhos, ou seja, as pessoas vivem mais próximas umas das outras, fator diminui as distancias como a locomoção ao trabalho, por exemplo.



CIDADE
POPULAÇÃO ESTIMADA (2012)
DENSIDADE DEMOGRÁFICA
(HAB/M²)
FROTA (AUTOMÓVEIS)
RELAÇÃO POPULAÇÃO X VEÍCULOS





São Sebastião do Caí
23.128
196,81
7.271
31%
Feliz
12.992
129,59
4.715
36%
Bom Princípio
12.644
133,20
4.360
34%
Montenegro
62.484
140,13
21.202
34%
Portão
33.212
193,38
12.125
36%
Porto Alegre
1.467.816
2.837,53
550.289
37%

Tabela1 (Guilherme Zamboni Ferreira)


Outro ponto importante da comparação com os municípios vizinhos é a relação de automóveis por habitante. A cidade tem a menor relação dentre os municípios comparados, sendo que apenas 31% do total da população possui automóvel. Dado que serve de argumento para demonstrar que não temos nenhuma necessidade de uma “via rápida” ou “via expressa” para chegarmos com rapidez ao destino desejado, pois estamos tratando de 1/3 do total da população e partindo do ponto que a verdadeira ordem de prioridades de uma rua/avenida com qualidade, e que privilegia a segurança dos mais frágeis (pedestres e ciclistas) e depois os transportes coletivos (mais pessoas dentro de um mesmo veículo) é: 1- pedestres, 2 – ciclistas, 3 – transportes públicos e 4 – transportes privados.



Figura 2 – Pirâmide de Prioridades (Guilherme Zamboni Ferreira)


Então, a decisão de diminuir a velocidade dos veículos na antiga RS122, hoje Avenida Bruno Cassel é correta e está de acordo com as atitudes que vem sendo tomadas nos países do Primeiro Mundo, assim como em todas as cidades que estão preocupadas com qualidade de vida e segurança no trânsito.




Figura 3 – empresa localizada na Av. Bruno Cassel, um bom exemplo que justifica a ciclovia.


A iniciativa de integrar a avenida ao meio urbano é um interessante ponto de partida para melhorar a cidade, o que deixa a desejar é a busca por um diálogo com a população, estou de acordo que ter uma ciclovia é melhor que não ter, mas só isso basta? Creio que não, penso que um projeto de tal importância para a cidade merece um pouco mais de cuidado, pois se trata do principal acesso da cidade, ou o cartão de visitas e boas vindas.
O Caí tem uma grande vocação ao ciclismo basta andar pela cidade e prestar atenção à quantidade de bicicletas que estão circulando pelo centro, fator que poderia ser comparado a uma cidade europeia e que deveria ser potencializado e valorizado pelos projetos urbanísticos. Ou seja, o projeto urbanístico dever ser feito interpretando as características e valores importantes da cidade, e se colocando em escala adequada ao tamanho do município.



PROPOSTA ALTERNATIVA



Para não ficar somente no campo das ideias e críticas, proponho um estudo urbanístico alternativo ao já apresentado como forma de fomentar o debate entre a população sobre o que se deveria fazer com esta avenida. Primeiramente, penso que o debate e a proposição de ideias podem despertar a curiosidade a respeito de um projeto que busca o bem comum, e é com este objetivo que apresento uma proposta em nível de estudo preliminar para este caso.
O estudo toma como ponto de partida a pirâmide de prioridades apresentada anteriormente (figura 2) e entra em acordo com a iniciativa de diminuição da velocidade dos veículos proposto pela prefeitura. A proposta se diferencia do atual projeto municipal por suas preocupações estéticas e de segurança.
Um ambiente confortável e seguro para caminhar e andar de bicicleta pode colaborar para o aumento da qualidade de vida das pessoas e com esse objetivo que se propõem uma solução com a faixa de rolamento (espaço dos carros) separada dos ciclistas e pedestres, pois assim se tem maior proteção e menos risco de um contato com veículos de maior tamanho.
Diferentemente da proposta atual, que possui um canteiro central, o que se propõem aqui são dois canteiros laterais que aproveitam a estrutura existente da atual avenida para formar duas ciclovias, uma para cada sentido, além de calçada, iluminação e proposta de arborização. Resumindo, não se trata de diminuir o espaço dos carros, mas sim, mantê-lo como está, acrescentando faixas de segurança distribuídas pelo trajeto, e utilizando o acostamento para ciclovia e calçada, assim como no projeto da prefeitura.




Figura 4 – Imagem aérea da Avenida Bruno Cassel e RS122.


Uma proposta mais completa desta avenida que conforma os dois principais acessos da cidade também deveria comportar, ao longo de todo trecho, mobiliários urbanos (bancos, lixeiras, equipamentos de ginástica, por exemplo) que formem espaços de permanência, melhoramento dos dois acessos da cidade, e assim tornando-os mais convidativos aos turistas que passam pela rodovia RS122. Também se deveria pensar em pontos de ônibus com qualidade e conforto nos dois extremos da avenida que possam interligar o transporte público local com o intermunicipal e interestadual, proporcionando a um maior número de pessoas o acesso à cidade, principalmente em tempos de festas comunitárias como Festa da Bergamota, por exemplo.







[1] http://www.ecocidades.com/2011/03/23/times-square-nova-york-adeus-carros-alo-pedestres/
[2] http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2014/02/ciclovia-de-porto-alegre-vai-ganhar-mais-30-quilometros-ate-o-fim-do-ano-4429741.html